Severina
Quando Severina nasceu eram só palavras, eu sabia onde cada uma ficava, como elas nasciam a cada música que eu ouvia. Severina nasceu com todas as palavras dentro dela. O texto era pequeno, cabia na palma da mão. Era a Princesa Severina e o Rei Sol, a menina que com a imaginação de criança nascida no sertão tentava fazer nascer no rosto da mãe sofrida um sorriso, então ela inventou o rei sol, que só sabia desenhar sombras na terra seca e nunca nunca deixava a chuva cair. Severina inventou uma música que só ela sabia dançar. Um belo dia, a mãe a viu brincando sozinha e...será que ela sorriu ao ouvir a brincadeira da menina?
Eu mexi tantas vezes no texto que toda a essência que existia nele se escoou, e por mais que eu o deixe descansar, eu não consigo vê-lo com os mesmos olhos de antes...Severina nasceu sem imagem, nunca a desenhei e por mais que tentasse, ainda não existia...Severina voltou a dormir e, sinceramente, não sei se vou conseguir fazê-la acordar. Mas ela sempre será a minha pequena princesa a dançar debaixo dos raios do rei sol.
Uma professora na França pediu a seus alunos que imaginassem uma outra forma do sol que não fosse a redonda. Depois, pediu que imaginassem que outra cor seria a do sol que não fosse amarela ou branca. Uma delas respondeu preto. Será que era para gerar sombras?
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