naquela noite
havia um silêncio dentro daquela casa, no espaço em que costumávamos conversar debaixo das sombras das paredes cruas, existia ali todo um mistério, uma vontade de pedir para você ficar, mas eu sempre soube que seu mundo não era o mesmo que o meu, nunca foi. naquele outono de vento forte corremos na praia, debaixo da escuridão da noite, você me falava palavras que eu não entendia, mas estávamos felizes, você e eu, os dois, eu sentia isso. Ou será que não? Será que inventei toda aquela liberdade? Aquelas frases soltas que se perdiam enquanto corríamos feito crianças, os pés descalços na areia. Eu inventei aquela noite? Sim, eu devo ter inventado. Lembro do seu rosto perto do meu, a sua voz perto da minha e ela me disse, vou embora. Não havia vento que as levasse, só um silêncio dentro daquela casa. Vou me embora. Naquela noite em que corríamos feito duas crianças, eu não queria entender o que você dizia.
fotografia: Paulo Rossi

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